Eu confesso que hoje, melhor seria não falar. Melhor seria dizer que não
tenho ânimo para conversar, que as coisas estão ruins demais para
compartilhar. Mas eu sei que são justamente nessas horas que mais
precisamos desabar, que mais precisamos de alguém para nos sustentar. E é
por isso que tenho coragem suficiente para dizer que a última semana
foi e tem sido catastrófica. Que está emendando em outra semana
catastrófica e que o meu medo de qualquer coisa só não é maior que o meu
medo de engordar. Que fico horas e horas me olhando no espelho e
apertando minha barriga, minhas coxas e braços, achando que há gordura
demais ali. Confesso que estou assim há dias, há anos, na verdade. Mas
que depois de um período significativo de melhora, uns quatro meses sem
episódios de não comer e nem de vomitar, cá estou, correndo para o
banheiro depois de qualquer café, almoço, lanche. Portas trancadas, dor
de cabeça, cansaço e tontura. Está muito difícil. Está muito dolorido.
Preciso de ajuda. Não faço ideia de por onde começar.
A Bulímia é uma paixão avassaladora, como em um relacionamento onde não
se está feliz, mas se tem medo de terminar. Vale aquela famosa frase:
"ruim com ela, pior sem ela".
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