segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Calada

Eu confesso que hoje, melhor seria não falar. Melhor seria dizer que não tenho ânimo para conversar, que as coisas estão ruins demais para compartilhar. Mas eu sei que são justamente nessas horas que mais precisamos desabar, que mais precisamos de alguém para nos sustentar. E é por isso que tenho coragem suficiente para dizer que a última semana foi e tem sido catastrófica. Que está emendando em outra semana catastrófica e que o meu medo de qualquer coisa só não é maior que o meu medo de engordar. Que fico horas e horas me olhando no espelho e apertando minha barriga, minhas coxas e braços, achando que há gordura demais ali. Confesso que estou assim há dias, há anos, na verdade. Mas que depois de um período significativo de melhora, uns quatro meses sem episódios de não comer e nem de vomitar, cá estou, correndo para o banheiro depois de qualquer café, almoço, lanche. Portas trancadas, dor de cabeça, cansaço e tontura. Está muito difícil. Está muito dolorido. Preciso de ajuda. Não faço ideia de por onde começar.
A Bulímia é uma paixão avassaladora, como em um relacionamento onde não se está feliz, mas se tem medo de terminar. Vale aquela famosa frase: "ruim com ela, pior sem ela".

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