quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Filosofando: papo de gente séria

Hoje li um texo chamado " Bulimia na  adolescência: um serial killer em ação" que está no livro A Atualidade da Psicanálise de Adolescentes. Sei lá o que eu queria e esperava realmente ao buscar este livro na bilbioteca: não sei se era um pouco de alento e compreensão ou se era apenas me deixar mais para baixo. Sei que busco respostas científicas para essas dores justamente quando elas mais apertam. Talvez meu ciclo seja mesmo atenuar a ansiedade com a ilusão de entender cientificamente, algo como "ei, tá escrito aqui, não é só você que passa por isso", pois depois de um tempo as coisas passam. Talvez seja por isso também que eu esteja insistindo nessa compreensão dos transtornos alimentares ao estudar e elaborar um artigo científico sobre o assunto. Mas, voltando ao texto, duas coisas importantes: a 1ª é que a bulimia é tratada pela autora como um ataque do sujeito aos pais internos - é matá-los depois de terem sido "ávida e cruelmente engolidos da mesma forma que os alimentos" (Godoy-Moreira, 2004: 264). Não matando-os na primeira tentativa, torna-se necessário um assassinato serial. Ok, eu refutei essas impressões. Não me parecem fazer sentido (o que pode ser pura defesa e negação) toda essa história de prazer inicial sentido com a ruminação e regurgitação quando bebê, uma integridade física pela permanência no alimento no esôfago... Ah, sei lá... Não dá para simplesmente engolir (irônico, não?) essa ideia! No entanto, o segundo aspecto, este familiar, me traz alguns pontinhos de respostas... Se pensarmos na linguagem do sujeito enquanto forma de condensação: conforme a autora, a "paciente bulímica" está lidando com a separação ao mesmo tempo que com a individuação. Assim, apresenta o exemplo de pessoas que literalmente "engolem" tudo e depois precisam jogar para fora de alguma forma. A academia para mim é um pouco isso, as horas de corrida, saltos fortes no jump... Estou jogando para fora sem precisar admitir que estou cansada. Quando só o jump e a corrida não dá conta de tanta energia, só resta apelar para o vômito autoinduzido. É claro que assumir isto não é fácil e nem foi um caminho óbvio. Na verdade, só consegui me dar conta ao lembrar do comentário de meu supervisor no grupo de estágio: "é claro que ela fica cansada de vez em quando, mesmo que ela não diga isso, a gente sabe que fica". E é claro que ele tem razão! Quantas e quantas vezes não deu vontade de faltar, de dizer "hoje se virem sem mim", "olha, eu não vou fazer", e etc. etc. etc.
Se eu busco um caminho, talvez seja este: que minhas pesquisas, que meus sofrimentos, que meus cansaços (etc, etc) não sejam em vão. Que me tirem desta, que me façam melhor. E que eu encontre boas companhias neste tortuoso caminho, para que o ciclo compulsão-"larica"-entorpecimento não desemboque em outro tipo de adição, como recorrentemente encontrado pela autora do artigo.

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